A constante evolução do crime

Desde a segunda metade da década de 60, quando os primeiros assaltos a bancos foram realizados no Brasil, as quadrilhas sempre demonstraram capacidade de introduzir variáveis criminais mais rentáveis, diversificar alvos e inovar os estratagemas. Quando os roubos a bancos diminuíram a atratividade em função das medidas de segurança adotadas, as quadrilhas passaram a agir em outros segmentos como joalherias e carros-fortes. Recentemente uma nova modalidade de crime contra o patrimônio passou a ser utilizada. O arrombamento de caixas eletrônicos com explosivos.
O desenvolvimento tecnológico entre as décadas de 1970 e 1980 estimulou os bancos a desenvolverem um sistema ágil em que o próprio cliente sacava o dinheiro nos caixas eletrônicos (máquina com mecanismo dispensador de cédulas conjugado a um cofre), em transações que podiam ser realizadas 24 horas por dia.
Os bancos mudaram a arquitetura das agências, adaptando os edifícios com uma área de auto-atendimento com vários caixas eletrônicos, o que facilitou a vida dos clientes e dos criminosos, que passaram a utilizar estratagemas como o chupa cabra e o golpe da ajuda. Em decorrência disso, algumas mudanças foram feitas na prestação desse serviço. Alguns locais deixaram de funcionar 24 horas e caixas passaram a ser instalados em locais como shopping centers, lojas de conveniência, farmácias e supermercados.
No último ano, após uma onda de assaltos a joalherias e empresas de valores, os caixas eletrônicos voltaram a ser o alvo da vez. Do total dos roubos ocorridos em 2011, 35% foram realizados com o uso de explosivos. Diferente de outros países, em que os atentados estão normalmente associados a crimes de motivação política, no Brasil a utilização de explosivos está quase restrita à tentativa de ganhar dinheiro fácil, porém nada impede que ações com explosivos migrem dos criminosos comuns para grupos com motivações políticas, religiosas ou simplesmente interessados em emparedar o Estado, como nos atentados ocorridos na cidade de São Paulo em 2006, desencadeados por uma facção criminosa.

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